
A final do Campeonato Baiano de 2026 será decidida em partida única entre Esporte Clube Bahia e Esporte Clube Vitória, no próximo domingo (8), na Arena Fonte Nova, em Salvador. O confronto marcará o Ba-Vi de número 506 da história e ocorre após a classificação do Vitória diante da Esporte Clube Jacuipense.
Às vésperas da decisão, o presidente do Vitória, Fábio Mota, informou que solicitará aos órgãos competentes a liberação de torcida mista para o clássico. Segundo o dirigente, o formato de jogo único justificaria a presença das duas torcidas no estádio, considerando que haverá apenas um confronto na final deste ano.
O pedido foi direcionado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), ao Governo do Estado, à Secretaria de Segurança Pública (SSP) e ao comando da Polícia Militar. A proposta prevê a adoção de protocolos de segurança que garantam a realização do evento com redução de riscos.
Em nota, o MP-BA informou que a eventual autorização dependerá da comprovação, pelos órgãos responsáveis pela segurança e logística, de que estão assegurados os mecanismos de prevenção à violência. A SSP também destacou a experiência das forças de segurança na condução de grandes eventos esportivos, com atuação de unidades ordinárias e especializadas e suporte tecnológico. O órgão lembrou ainda a participação da Bahia em competições internacionais realizadas no país, como Copa do Mundo, Copa das Confederações e Jogos Olímpicos.
Por outro lado, o Bahia mantém posicionamento contrário à liberação de torcida mista. Conforme apuração, o clube entende que não houve mudanças suficientes no cenário que justifiquem a revisão da política atual. Com a melhor campanha no estadual, o Tricolor garantiu o mando de campo e, de acordo com o regulamento vigente, tem direito à presença exclusiva de sua torcida nas arquibancadas.
A política de torcida única nos clássicos baianos está em vigor desde 2017. Desde então, 31 edições do Ba-Vi foram disputadas nesse formato. A medida foi adotada após episódios de violência registrados antes e depois de uma partida na Arena Fonte Nova, que resultaram em detenções e na morte de um torcedor nas imediações do estádio.
Na ocasião, a Confederação Brasileira de Futebol determinou a realização dos clássicos com apenas uma torcida, atendendo recomendação do Ministério Público da Bahia. No ano seguinte, houve flexibilização após avaliação positiva das autoridades de segurança, mas novos registros de confrontos entre torcedores e incidentes envolvendo jogadores levaram à retomada da restrição.
O debate voltou a ganhar destaque após ocorrência registrada em 17 de janeiro, em Salvador, quando três pessoas foram presas em flagrante por tentativa de homicídio contra dois jovens. Segundo informações policiais, as vítimas teriam sido agredidas por integrantes de torcida organizada ligada ao Bahia, e um dos jovens utilizava camisa do Vitória no momento da agressão. O caso reforçou a discussão sobre os protocolos de segurança nos clássicos estaduais.
Com a decisão marcada para a Arena Fonte Nova, a definição sobre a presença de torcida mista deverá ocorrer antes do próximo domingo, considerando as exigências operacionais e de segurança envolvidas na organização do evento.