Documentos da gestão Bruno Reis indicam atenção básica insuficiente e impacto nas UPAs em Salvador

Unidade de Saúde da Família Liberdade e prefeito Bruno Reis em imagem sobre atenção básica insuficiente em Salvador

Os Planos Municipais de Saúde (PMS) de Salvador, referentes aos períodos de 2022-2025 e à versão preliminar de 2026-2029, apresentam um diagnóstico detalhado sobre a rede pública de saúde da capital baiana. Os documentos apontam limitações na atenção básica, desigualdade na distribuição de serviços e concentração da rede especializada em áreas centrais.

Entre os principais pontos destacados está a existência de vazios assistenciais em bairros periféricos. A região de Cajazeiras é citada como exemplo, com lacunas identificadas em localidades como Águas Claras, Cajazeiras VI, Cajazeiras VIII e Cajazeiras XI.

O plano também detalha fragilidades em unidades de saúde da família (USFs), incluindo Fazenda Grande, Fazenda Grande III, Yolanda Pires e Cajazeiras XI. Entre os problemas listados estão a ausência de apoio multiprofissional, falhas na captação de gestantes, ausência de pré-natal do parceiro e odontológico, além de registros de crianças de até dois anos com baixo peso e desnutrição.

De acordo com o diagnóstico, a insuficiência da atenção básica tem impacto direto na rede de urgência e emergência. A falta de acompanhamento contínuo, consultas em tempo oportuno e acesso a exames leva parte da população a buscar atendimento diretamente nas UPAs, contribuindo para a superlotação dessas unidades.

Os documentos também indicam que a rede de média e alta complexidade permanece concentrada em regiões como Barra, Rio Vermelho, Brotas e Centro Histórico. Em contrapartida, áreas como Cajazeiras, Boca do Rio e Subúrbio Ferroviário apresentam menor oferta local desses serviços.

Na saúde infantil, o PMS aponta que três causas concentram mais da metade das internações por condições sensíveis à atenção primária entre crianças de 0 a 10 anos: infecções de pele e tecido subcutâneo (20,78%), pneumonias bacterianas (17,54%) e bronquites (17,17%). O próprio documento recomenda o fortalecimento de ações preventivas e melhoria no manejo dessas condições.

Outro indicador relevante é a cobertura de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que passou de 27,83% em 2015 para 31,66% em 2024, crescimento considerado lento. Em comparação com outras capitais, os índices permanecem inferiores: Fortaleza registra 47,02%, Belo Horizonte 57,76% e Recife 83,45%.

A diferença estrutural também aparece na rede hospitalar municipal. Enquanto Fortaleza mantém 10 hospitais e maternidades sob gestão própria, Salvador conta com dois hospitais municipais e inaugurou sua primeira maternidade municipal apenas em 2026.

Na região de Cajazeiras, a presença de unidades estaduais é mais expressiva que a municipal. O território conta com estruturas como o Hospital Eládio Lasserre, a Maternidade Albert Sabin, a Unidade de Emergência Cajazeiras e o Instituto Couto Maia. Segundo os dados apresentados, não há unidade de pronto atendimento (UPA) administrada pela Prefeitura na localidade.

No total, a rede estadual dispõe de 39 unidades em Salvador, incluindo 16 hospitais e seis maternidades. Já o Hospital Municipal de Salvador, localizado na região, não atende casos de emergência por demanda espontânea.

O diagnóstico apresentado nos próprios documentos oficiais aponta para a necessidade de ampliação da cobertura da atenção básica, descentralização dos serviços especializados e fortalecimento da rede municipal, com o objetivo de reduzir desigualdades no acesso à saúde e diminuir a pressão sobre as unidades de urgência.

Confira os arquivos:

PMS Salvador 2022-2025 Vol 1

PMS Salvador 2022-2025 Vol 2

PMS Preliminar

Fotos: Reprodução

Mais notícias

Deixa seu comentário

Obrigado pelo seu comentário